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Umqombothi

Umqombothi é uma cerveja de sorgo típica do sul da África. Feita com malte de sorgo, malte de milho, milho não-maltado, levedura e água, resultando em uma cerveja de menos de 3% ABV, com um distinto aroma ácido, opaca, com uma consistência densa, cremosa e granulosa (do milho).

É feita de acordo com costumes tradicionais que variam de região para região e a receita é geralmente passada de pai pra filho. Os ingredientes são misturados em uma panela de ferro e deixados fermentando de uma noite para outra. No outro dia a mistura é cozida e deixada para resfriar. Na sequência é transferida para um balde de plástico onde se adiciona um pouco mais de malte de sorgo e malte de milho para auxiliar na fermentação com suas leveduras naturais.
Ambiente para apresentação do Umqombothi aos turistas 

Quando a fermentação termina a cerveja passa por um filtro de metal que separa a cerveja do bagaço de malte, o qual é usualmente dado para as galinhas. A cerveja é então transferida para um tambor para ser compartilhado  entre amigos e parentes.

Estive na África do Sul e Suazilândia recentemente e tive três oportunidades de experimentar esta extrema cerveja nativa. A primeira oportunidade foi em Joanesburgo no SAB World of Beer, uma interessante atração na cidade, mas um daqueles lugares forçosamente turísticos. E assim como todo o museu, o momento de degustação do Umqombothi também foi um tanto forçado, mas valeu a pena.


Minha segunda oportunidade foi na Suazilândia, onde após visitar o Swazi Cultural Village, o guia nos levou em uma pequena comunidade em Mahlanya onde eu consegui encher uma pequena garrafa pet que eu tinha no carro com a cerveja que estavam bebendo a partir de um tambor de plástico.

Ali aprendi, com algum esforço, como pronunciar o nome Umqombothi. É "Um - Q - Ombothi", sendo que o "Q" se pronuncia com um estalo forte da lingua no céu da boca - algo bem exótico e difícil de repetir. 

Levei para o hotel, coloquei um tempo na geladeira e degustei aquela rústica cerveja. Ela é bem ácida, cremosa, bem consistente com alguns granulados dos cereais e um gosto bem destacado de grãos, bem diferente de qualquer coisa que eu já tenha tomado. Foi curioso perceber que na comunidade os jovens estavam bebendo heineken e apenas os mais antigos bebiam a cerveja tradicional deles, inclusive riram muito do gringo que estava procurando pela bebida deles. 

O terceiro lugar que eu encontrei foi no BeerHouse em Cape Town, um bar de cerveja artesanal na Long Street, a rua boêmia da cidade. Lá pude saborear a versão industrial chamada Chibuku que é curiosamente servida a partir de uma caixa tetrapark muito similar com as de leite.





Encontrei também em Cape Town a Utywala, uma releitura do Umqombothi feita pela cervejaria Ukhamba do primeiro cervejeiro negro da cidade, Lethu Tshabangu. É uma Saison com malte de sorgo extremamente leve, um pouco picante, com aroma ácido e frutado da fermentação, e com uma acidez e refrescância do sorgo, mas com um amargor um pouco desagradável no retrogosto. 

Acredito que seria uma boa avaliar a forma de trabalhar os lúpulos nesta cerveja, mas de qualquer forma foi uma ideia genial o resgate desta tradição na forma de uma saison, e o resultado geral ficou muito bom. E me leva a considerar o malte de sorgo como ingrediente válido em cervejas neste estilo, sempre que você quiser uma certa refrescância um pouco picante. A dificuldade reside agora em encontrar o malte de sorgo. Provavelmente o meio mais fácil será maltar o sorgo em casa. Fica para uma futura experiência.










                                                                                                                                                  

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