Curiosidades Históricas Cervejeiras

Gravura Der Bierbreuwer

Todos que estudam um pouco história da cerveja já se depararam em algum momento com esta  bela gravura:

O que poucos sabem é que essa gravura faz parte do livro Panoplia. Omnium illiberalium mechanicarum aut sedentariarum artium genera continens, 1568, de Hartmann Schopper e que é um compêndio de profissões nas cidades europeias durante o século XVI.

A gravura foi feita por  Jost Ammon e é considerada um excelente exemplo de arte deste período.

Segue a página completa do Livro:
O poema está em alemão arcaico e pode ser traduzido como algo assim: "A partir da cevada eu fervo boa cerveja, rica e doce em modo amargo. Numa tina grande e larga eu jogo o lúpulo. Após ferver, eu deixo resfriar e dessa forma preencho o bem construído barril de fermentação. Então eu deixo fermentar e a cerveja está pronta."

                                                                                                                                                                  

Cock Ale

Cock Ale ou "cerveja de galo" era um tipo de Ale inglesa muito popular nos século XVI e XVII na qual era adicionada uma carcaça cozida de um galo à cerveja durante a maturação e assim era deixada em torno de uma semana antes de ser engarrafada. Além da carcaça poderiam ser adicionados especiarias, tâmaras e passas.


                                                                                                                                                                  

Cultura do Lúpulo no Brasil



A nova cultura cervejeira no Brasil estimulou projetos que visam o desenvolvimento de uma produção de lúpulo nacional, em especial nas serras catarinenses e na Serra da Mantiqueira em São Bento do Sapucaí.


Apesar de ser alardeado como uma novidade, a ideia de se produzir lúpulo nacional para a indústria cervejeira é mais antiga que imaginamos. Em março de 1867 o Dr. Murici enviou uma carta à Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional (uma sociedade civil de direito privado fundada em 1831 com o objetivo de fomentar a indústria brasileira) solicitando envio de sementes da planta para plantar no Paraná, visto que ele acreditava que existiam todas as condições para o cultivo da planta.





No mesmo ano o Dr Murici respondeu à Sociedade informando que havia recebido as "raízes de lúpulo", provavelmente tratava-se de rizomas, e que das oito recebidas em bom estado, apenas duas vingaram. Ele ficou de responder quanto ao  resultado, mas não encontrei mais nenhum relato do Dr. Murici nos jornais da Sociedade Auxiliadora.



Curiosamente, em 1869 surgiram anúncios em um jornal curitibano (Dezenove de Dezembro) de sementes de lúpulo à venda que poderiam ser provenientes destas experiências do Dr. Murici. No entanto, esses anúncios cessaram rapidamente a despeito do apelo comercial, o que me leva a crer que a cultura do lúpulo não tenha vingado aqui no Paraná.



Em paralelo a isso, em 1869 aparece outra matéria no jornal da Sociedade Auxiliadora sobre o cultivo do lúpulo, na qual afirma que já existia cultura no Rio Grande do Sul, em São Leopoldo, embora de pequeno porte, o que é confirmado por uma outra matéria no Jornal de Recife. A Sociedade Auxiliadora também informa que o comendador A J Gomes Perreira Bastos, proprietário de uma grande cervejaria carioca (Imperial Fábrica de Cerveja Nacional) havia trazido da Europa dois mil pés de lúpulo e entregou a Ministério da Agricultura para distribuição. Coincidentemente a notícia sobre a ida dele foi reportado juntamente com a carta do Dr. Murici de 1867 mostrada acima. Além disso, o comendador ofereceu um prêmio em dinheiro para o lavrador que conseguisse o melhor resultado em um ano.



Não encontrei notícia sobre nenhum lavrador obtendo o prêmio, mas em abril de 1870 o Jornal do Recife apresenta um relato sobre uma visita à fábrica do comendador no Rio de Janeiro na qual se encontra uma significativa plantação de lúpulo e outras culturas locais.


E na revista da Sociedade Auxiliadora do 1870 havia um relato do Comendador Pereira Bastos apresentando o lúpulo plantado em sua chácara na rua Riachuelo - hoje zona boêmia do Rio de Janeiro. A Revista Agrícola Imperial Fluminense também apresentou uma série de matérias sobre o lúpulo entre estes anos, tratando tanto das experiências dos Comendador, quanto as experiências no Jardim Botânico, basicamente confirmando o que se apresentava nos outros jornais.


Figura na Revista Agrícola
Imperial Fluminense - 1869
Essa série de matérias entre 1867 e 1870 encerraram abruptamente, com artigos que afirmavam que colheitas estavam sendo feitas, que os resultados eram promissores, que o lúpulo obtido seria encaminhado para análise com o propósito de compará-lo com o estrangeiro e que os resultados seriam divulgados em breve. Não encontrei em nenhum lugar os resultados de tais análises, encontrei apenas alguns relatos um tanto ufanistas acerca da Feira Nacional de 1881, na qual foram apresentados produtos provenientes do Rio Grande do Sul, e que dentre estes havia lúpulo local que dizia-se ser de qualidade superior ao europeu. A partir de então não encontrei mais relatos sobre produção de lúpulo nacional.

Não é de todo de se surpreender que o resultado não tenha sido positivo, o lúpulo é uma planta que vinga bem entre os paralelos 35° e 55°, e idealmente na latitude 48°. E nosso extremos sul, o Arroio Chuí encontra-se no paralelo 33°.

Curiosamente encontrei em alguns locais informações sobre o uso de Quassia Amara (Pau-Tenente) como substituto de lúpulo em cervejarias inglesas, mas nenhuma informação sobre uma nacional fazendo isso.



                                                                                                                                                                   

Braggot

Braggot é o nome do hidromel que leva malte, também chamado de bracket, bragaut e bragawd. A origem dessas curiosas palavras vem do irlandês antigo (brach) ou do galês (brag, bragio) que significa "brotar". O fato do nome vir do galês não significa que eles tenham-na inventado, as origens do braggot são realmente muito antigas, beirando o início da civilização. No entanto, com o tempo o mel se tornou um componente secundário em cervejas e o último reduto em que a cultura do braggot sobreviveu foi no país de Gales. Os galeses eram famosos por suas cervejas com mel até o advento da Revolução Industrial, mas por volta de 1800 as cervejas galesas já não levavam nenhum mel.


No Guia BJCP 2015 para Hidromel o Braggot está na categoria M4A, e ali se afirma que a impressão geral da bebida deve ser de um blend harmonioso de hidromel e cerveja, mantendo-se as características distintas de ambos. Uma extensa variedade de resultados é possível a depender do estilo base da cerveja, do tipo de mel, especiarias utilizadas e diversos outros fatores. Tanto pode-se fermentar o malte e o mel juntos quanto realizar um blend entre um hidromel e uma cerveja.

John Bickerdyke escreveu The Curiosities do Ale and Beer no século XIX, e neste livro ele concluiu que:
Definir braggot com algum grau de precisão seria tão difícil quanto dar uma definição certeira de sopa.


Quem tiver interesse em outras curiosidade sobre cervejas, este antigo livro está disponível digitalmente aqui.

                                                                                                                                                                   
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