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Mostrando postagens de Junho, 2015

Braggot

Braggot é o nome do hidromel que leva malte, também chamado de bracket, bragaut e bragawd. A origem dessas curiosas palavras vem do irlandês antigo (brach) ou do galês (brag, bragio) que significa "brotar". O fato do nome vir do galês não significa que eles tenham-na inventado, as origens do braggot são realmente muito antigas, beirando o início da civilização. No entanto, com o tempo o mel se tornou um componente secundário em cervejas e o último reduto em que a cultura do braggot sobreviveu foi no país de Gales. Os galeses eram famosos por suas cervejas com mel até o advento da Revolução Industrial, mas por volta de 1800 as cervejas galesas já não levavam nenhum mel.


No Guia BJCP 2015 para Hidromel o Braggot está na categoria M4A, e ali se afirma que a impressão geral da bebida deve ser de um blend harmonioso de hidromel e cerveja, mantendo-se as características distintas de ambos. Uma extensa variedade de resultados é possível a depender do estilo base da cerveja, do tip…

Raison D'être

Raison d’être, que significa literalmente “razão para existir” em francês. É uma cerveja brown ale no estilo belga da Dogfish, feita com açúcar de beterraba, passas e fermentada com uma levedura belga. Eles criaram essa cerveja como resposta à pergunta "Qual cerveja devo harmonizar com um bife grelhado na brasa?" E esta pergunta é a razão para existir esta cerveja.
Veja mais na página da Dogfish.



Ainda não tive oportunidade de experimentar essa cerveja, como ninguém importa as cervejas da Dogfish, é muito difícil de encontrá-las aqui. Fiz uma versão desta receita que aparece no livro Brewing Extreme do Sam Calagione.



No livro ele diz que foi uma das primeiras receitas bem-sucedidas produzidas no brewpub deles em Rehoboth Beach. Diz também que as passas dão bastante aroma de vinho e o fermento belga e o candi sugar adicionam complexidade tornando esta bebida o complemento perfeito para um bife grelhado na brasa.
Eu fiz “um pouco” diferente que a receita mandava. Usei um extr…

Hidromel

Hidromel é o nome da bebida alcoólica proveniente da fermentação de mel diluído em água. Pode ser classificado em vários estilos a depender da graduação alcoólica, da quantidade de açúcares residuais não fermentados, da adição de especiarias, frutas, lúpulo ou mesmo, grãos. A figura abaixo mostra algumas classificações.


Quando eu era adolescente e jogava AD&D sempre que a história chegava a uma taverna havia menção a uma bebida chamada hidromel. O curioso é que ninguém sabia exatamente do que se tratava, mas se sabia que deveria estar presente nos jogos de RPG para remeter a um período medieval.
Provavelmente esse elo com antigo em nosso imaginário foi criado por muitos escritores de ficção que colocaram a bebida em suas obras, como: J. R. R. Tolkien, C. S. Lewis, George R. R. Martin e até o Stan Lee ao criar o Thor se baseando na mitologia nórdica.



É com certeza, uma bebida ancestral, sendo que o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss afirmou que a invenção do hidromel marca a …

Cauim com Açaí

Como prometido aqui, eu resolvi adicionar uma fruta àquele Cauim fermentado com Jiuqu. A fruta que acabei escolhendo foi o açaí.
Comprei uma polpa de açaí congelada sem açúcar e  deixei descongelando. Depois disso, simplesmente misturei com o Cauim.
O resultado não foi uma melhora significativa. Ao componente ácido adicionou-se um gosto terroso e ao final das contas não melhorou muito. Nas vias de fato, me pareceu que esses dias que eu deixei o Cauim na geladeira aumentou significativamente sua acidez. Provavelmente por ação de alguma acetobacter.

Tenho que admitir que visualmente melhorou um pouco, mas não muito. Deixou de parecer leite para aparentar leite de soja com uva. Ficou muito, mas muito longe da minha expectativa de se aproximar de uma cerveja lambic belga.... acho que eu estava muito pretensioso.




A minha conclusão é que essa técnica não foi aprovada. Por ora, não farei mais Cauim com Jiuqu. Passemos para as próximas teorias, futuramente tentarei fazer a conversão enzimáti…

Lúpulo é Só Mais Uma Erva, Cara!

Minhas Experiências com Gruit Como pode ser visto no tópico anterior, Gruit era o nome dado a uma mistura de ervas aromáticas usadas para dar amargor à cerveja antes da popularização do lúpulo a partir do século XVI. As três ervas mais utilizadas e que compõem a chamada “santíssima trindade do gruit” são:  Mírica (Myrica Gale)Mil-folhas ou Aquiléia (Achillea Millefolium)Wild Rosemary (Rhododendron Tomentosum ou Ledum Palustre

Dessas três ervas, apenas a Aquiléia eu consegui encontrar aqui Brasil. Encontrei em uma loja de produtos naturais depois de pesquisar um pouco. As outras duas ervas são difíceis de encontrar até mesmo no exterior, eu comprei nos Estados Unidos por meio deste site  http://www.wildweeds.com/herbs/index.html.
É importante ressaltar que essas ervas possuem certa toxidade, quando eu li isso eu já havia feito uma receita e fiquei bastante receoso. Resolvi fazer alguns chás com as ervas para experimentar. Fui aumentando a dosagem aos poucos e o que eu acabei por sentir …

Gruit - Cervejas sem Lúpulo

Gruit Ale - Cervejas sem Lúpulo da Idade Média
Gruit era o nome dado a uma mistura de ervas aromáticas usadas para dar amargor à cerveja antes da popularização do lúpulo. As três ervas mais utilizadas e que compunham a chamada “santíssima trindade do gruit” eram:  Mírica (Myrica Gale)Uma planta de pântano dos climas nórdicos com um aroma resinoso de eucalipto.  Tem propriedades anti-oxidantes e um histórico como repelente de insetos.Mil-folhas ou Aquiléia (Achillea Millefolium)Uma erva alta com chumaços de pequenas flores e relacionada à camomila. Pode causar alergias.Wild Rosemary (Rhododendron Tomentosum ou Ledum Palustre)Outra plante de pântanos e que era usada pelos Xamãs na Sibéria na forma de fumaça com propósito inebriante. Diz-se  que possui propriedades hipnóticas (mas não alucinógenas). Dessas três ervas, apenas a Aquiléia é encontrada no Brasil. É possível encontrá-la em lojas de produtos naturais com certa dificuldade (eu diria que você encontra em duas ou três lojas em ca…

+8 Fatos Extremos Sobre Cervejas

1 - Em 1874 uma inundação de mais de um milhão de litros de cerveja devastou um bairro pobre de Londres A Cervejaria da Ferradura – Horse Shoe Brewery –, fundada em 1623, era localizada em um bairro pobre no centro de Londres, e em 17 de Outubro de 1814 uma grande tina colapsou liberando 610.000 litros de cerveja Porter. Isso causou a ruptura de diversos fermentadores em um efeito dominó. No total, foram 1.470.000 litros liberados nas ruas do bairro. A onda de álcool destruiu algumas casas e matou oito pessoas.
A cervejaria foi julgada e inocentada pois o juiz e o júri consideraram o desastre como um Ato de Deus.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/London_Beer_Flood

2 - As duas cervejarias mais antigas do mundo ficam na Bavária e estão em operação há quase 1000 anos A cervejaria Weltenburg Abbey está em funcionamento desde o ano 1050, com apenas uma interrupção entre os anos 1803 e 1846. Sua “Weltenburger Kloster Barock Dunkel” ganhou prêmios de melhor Dunkel do mundo na World Beer…

Cauim - Fermentado com Jiuqu

Dando continuidade ao assunto Cauim; o qual considero um assunto muito importante para nós brasileiros dado que é um fermentado típico da nossa terra, feito pelos indígenas por séculos, talvez milênios. Acho muito importante que nossas experiências gastronômicas reflitam quem nós somos, nossas raízes, nossos valores e nossa terra, e o Cauim representa muito bem isso.
O Cauim, como já dito, era um nome genérico para diversos fermentados nativos, sendo que a matéria prima mais utilizada era a mandioca, a qual sempre foi um alimento muito importante na América do Sul. As lendas nativas de origem da mandioca são todas muito similares entre si e transcrevo abaixo uma versão simplificada da lenda. "Em um passado distante, a filha de um grande chefe recebeu o espírito da Grande Mãe Terra em um sonho. Ela disse para menina que ela estava grávida de uma criança que traria para todos a benção sagrada do Criador. Então a menina ficou grávida e teve uma bela criança que chamaram de Mani. A …

Minhas Impressões sobre Cacau - III

Theobroma – Dogfish Head Brewery – Braggot com Cacau
Theobroma é uma cerveja especial da série Ancient Ales da Dogfish Head feita baseando-se nas análises químicas de fragmentos de cerâmica encontrados em Honduras. Uma cerveja exótica e excepcional com score 87 no site beeradvocate, feita com mel, cacau em pó, cacau em nibs, urucum e pimenta chilli. Infelizmente ninguém trás para o Brasil. Eu consegui comprar duas garrafas na última vez que estive nos Estados Unidos e pude experimentar o chopp. Tem uma bela coloração dourada e uma espuma que desaparece rapidamente, com um aroma doce e picante ao mesmo tempo e bem sutil gosto de cacau.

Eu tentei, com alguns tropeços, fazer minha versão dessa excelente cerveja fazendo uma braggot (fermentado de mel e malte). Na verdade o que eu fiz foi um hidromel, me baseando muito na proposta original dos povos nativos da América Central, e então fiz um “blend”- misturei em uma proporção que me pareceu adequada-, com uma cerveja suficientemente encorpada…

Cauim

Cauim era o nome genérico para diversas bebidas fermentadas dos indígenas brasileiros. Podia ser feito à base de milho, mandioca, caju, batata, banana, abacaxi, etc. Mas o mais comum era a bebida feita a partir da mandioca. O processo era bastante simples; a matéria-pima é cozida, mastigada e recozida para que as enzimas da saliva possam quebrar o amido em açúcares fermentáveis. É a mesma técnica utilizada na Chicha, e que antigamente era usada no Saquê.

Como já dito, Cauim era o nome genérico, e existiam diversos termos que os nativos americanos davam para bebidas fermentadas a depender da fonte de açúcares fermentáveis. Quase como se fossem os estilos de cerveja. Por exemplo: abatiui (milho), beeutingui (farinha de mandioca), caxiri (buriti), nanaí (abacaxi), tikira (beiju) e tucanaíra (mel de abelhas).






O viajante Jean de Léry, que esteve no Brasil durante o século XVI, fez um relato de viagens na qual descrevia a produção e o consumo do cauim pelos nativos tupinambás, a qual eu tr…