Pular para o conteúdo principal

Chicha

Chicha é o nome que recebem diversas bebidas alcóolicas derivadas da fermentação do milho na américa. É uma bebida muito difundida na américa espanhola desde períodos pré-colombianos. O processo é basicamente o mesmo da preparação da cerveja, alguns adicionam quinoa e/ou chanchaca (um doce feito a partir do piloncillo – açúcar não refinado de cana).

A Chica tem sido preparada e consumida na região dos Andes por milênios. Os Incas usavam com fins ritualísticos e era consumido em grandes quantidades durante os festivais. Em algumas culturas, ao invés de germinar/maltar o milho para liberação das enzimas necessárias para sacarificação, o milho era mastigado e cuspido em um pote, de forma que a amilase presente na saliva fizesse a sacarificação.

O pessoal da Dogfish já preparou uma cerveja seguindo essa antiga filosofia peruviana. Abaixo pode-se ver na foto o pessoal mastigando e cuspindo o milho que depois seria adicionado a um lote de cerveja.


Eu encontrei o maíz morado (*milho roxo ) e o maiz de jora na feira boliviana da praça Kantuta em São Paulo há mais ou menos um ano, e fiquei tomando coragem para mastigá-lo e fazer algo semelhante. Se você pensar bem, não é algo tão nojento, uma vez que depois o lote é fervido e com isso tudo é esterilizado. E nas vias de fato, isso não é exclusivo dos povos americanos. Vários outros povos usam dessa prática. Já li que isso é feito ainda hoje na África e que o Sakê antigamente era feito assim pelos japoneses.

E quando eu descobri que o Sakê era feito assim antigamente, que eu tive uma ideia. Hoje em dia o Sakê é feito com o Koji – uma cultura de leveduras que não necessita de sacarificação para converter açúcares de cadeia longa em álcool. E eu tenho em casa uma quantidade razoável de  Jiuqu – o similar chinês do Koji. (Ver post – Vinho de Arroz Chinês)

Aí resolvi fazer isso – cozinhar meio quilo de maíz morado e meio quilo de maiz de jora em água e depois colocar para fermentar com Jiuqu. Bem, eu posso dizer que a minha primeira experiência foi um desastre completo. Primeiramente eu deixei um tanto do milho moído grudar na panela e queimar durante a fervura. E isso já deixou um cheiro de queimado muito forte no mosto. Mesmo assim eu coloquei para fermentar com duas bolas moídas de “Chinese Dry Yeast”. E três semanas depois, não só o aroma de queimado persistia, como surgiram umas placas brancas que pareciam contaminação. Eu experimentei aquilo e o gosto era um misto de azedo com queimado repugnante.

Infelizmente eu fiquei tão desanimado com a experiência que me esqueci de tirar umas fotos, e eu fiz esta experiência uns dois meses antes de escrever estas letras. Mas eu tenho que dar o braço a torcer que a cor do líquido ficou um roxo vivo realmente muito bonito.

Mais pra frente eu pretendo fazer mais uma tentativa com 1kg de milho que ainda me restou.


Postagens mais visitadas deste blog

Receitas com Bagaço de Malte

Fazer cerveja em casa é um hobby que tende naturalmente a ser mais sustentável do que comprar cervejas industrializadas. Isto ocorre por diversos motivos, dentre eles: a logística de líquidos engarrafados que depende de combustíveis fósseis, a utilização de materiais brutos pela indústria que utilizam papelão e plásticos para caixas, a fabricação das garrafas de vidro que são descartáveis(enquanto o cervejeiro caseiro reaproveita as garrafas), etc. Logo, produzir em casa é uma boa forma de beber boas cervejas e ajudar a salvar o planeta.
No entanto, apesar do relativamente menor impacto ecológico do hobby, nós sempre podemos fazer um pouco mais. Por isso pretendo descrever algumas ideias sobre como minimizar o impacto no meio ambiente e de quebra, economizar alguns tostões. Um dos principais meios para isso é abordar o aproveitamento do Bagaço do Malte, o qual tem alto valor alimentício pois, descartando a água absorvida, ele é composto de fibras(~70%) e proteínas(~20%), e sempre com…

Minhas Impressões sobre Cacau - II

Cacau na CervejaAlguns maltes aromáticos são tostados até apresentarem um aroma extravagante de chocolate negro e café. Esses maltes são muito apreciados em stouts, brown ales e porters. Com o tempo isso levou os cervejeiros a pensarem em outras  formas de se adicionar estes aromas nas cervejas.




Como colocar o aroma de chocolate na cerveja feita em casa? Bem, fora o uso do malte chocolate, existem algumas outras formas: Nibs de cacauCacau em pó (ao se preparar o chocolate, quando você extrai a parte gordurosa dos nibs de cacau, o que sobra é o chamado cacau em pó)Chocolate em póAromatizante sabor chocolate
Pelo que eu li em diversas fontes, a forma mais proveitosa de se fazer isso é usando os nibs de cacau, apesar de usar cacau em pó ter suas vantagens e uma delas é a menor porcentagem de gordura, a qual pode impactar a formação de espuma. Eu apenas tentei usando de nibs de cacau e por isso vou abordar apenas essa forma aqui. Mas já li muitos relatos de pessoas conseguindo ótimos resulta…

Gengibirra

Gengibirra ou Ginger Ale é um refrigerante feito a partir do gengibre. Na Wikipedia afirma-se que foi inventado por um médico americano em 1851, no entanto no livro Sacred and Herbal Healing Beers é possível encontrar uma receita de 1819 que havia sido publicada em um livro de receitas.
Aqui em Curitiba é bem comum encontrar a Gengibirra da Cini, mas no resto do Brasil é considerado algo bem exótico um refrigerante feito a partir do gengibre. Na verdade é mais comum do que nós pensamos, existindo versões comerciais nos Estados Unidos, Canadá, Japão e Inglaterra.
Em todas receitas de Gengibirra artesanais que eu encontrei constam os seguintes ingredientes: água, gengibre, açúcar (na maior parte das vezes mascavo), limão e fermento de pão. Alguns apresentam alguns componentes a mais como: clara de ovo, creme tártaro (bitartarato de potássio), ictiocola (colágeno obtido da bexiga de peixes), abacaxi e mel.


As receitas que a gente encontra na internet e em livros como o Sacred and Herbal…