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Introdução

Sempre gostei de uma novidade. Uma bebida diferente, uma comida exótica, uma guloseima recém lançada.

Em supermercados eu sempre caio no truque da novidade. É só o departamento de marketing da empresa resolver colocar um NOVO em letras coloridas e garrafais e eu caio que nem um patinho. Compro o produto que depois eu descubro nem ser tão novidade, ou nem ser tão bom assim.

Às vezes me dou mal com isso. Lembro quando eu era criança e fiz minha mãe comprar o péssimo Quick Chocolate Branco que tinham acabado de lançar - e o troço era ruim! 

Anos depois, quando adolescente, com amigos em um restaurante argentino em Florianópolis, convenci todos a pedir um petisco típico argentino que ninguém conhecesse, mas sem perguntar ao garçom do que se tratava. Pedimos chinchulim, que depois descobrimos tratar-se de intestino delgado assado. Perguntei ao garçom do que se tratava aquele recheio com sabor forte e ele me disse com a voz mais sarcástica: "Não tem recheio". O garçom ainda fez questão de me dizer que trabalhava ali há quinze anos e nunca havia tido coragem de comer aquilo. Obviamente que meus amigos me obrigaram a comer todo o petisco. Ah...bons tempos. 

No mundo da cerveja o meu fascínio por novidades começou em 2001, no então recém inaugurado Jokers Pub em Curitiba. Eles estavam com uma promoção em um tal de Chopp Guiness – que estava saindo pela metade do preço. Resolvi experimentar e confesso que o primeiro Pint desceu mal. Eu lembro de ter pensado – que troço horrível com gosto de café!! Cerveja não é pra ter esse gosto!! Isso não é cerveja! – Mas aí uma guria, que havia desgostado mais do que eu, me deu seu pint pra eu tomar. E digo que o segundo pint me desceu muuuito bem.

A partir de então eu comecei a tomar algumas Baden Baden em São José dos Campos, onde eu morava à época, e depois, eu experimentei algumas belgas que conseguia encontrar muito raramente em barzinhos especializados.

E aí, quando você sai do Matrix, você sempre vai querer experimentar novas cervejas e novos estilos. Você continua tomando cervejas “mainstream” obviamente, mas você passa a, sempre que possível, optar por uma melhor.... uma “artesanal” ou “gourmet”.

E nisso surgem vários termos na sua vida: cervejas artesanais, importadas, gourmet... e cervejas extremas (extreme beers).

O que seriam cervejas extremas? No meu entendimento são aquelas que desafiam os limites (pushing the envelope) em termos de uso de insumos (tanto quantidade quanto variedade) e que não se enquadram em nenhum estilo do BJCP - Beer Judge Certification Program.

Ou melhor dizendo, que se enquadram no último estilo do BJCP: “23-Cerveja Especialidade”, e talvez se estenda aos estilos anteriores.

20- Cerveja de Fruta
21- Cervejas com Especiarias/Ervas/Legumes
22-Cerveja Defumada/Envelhecida em madeira


Recentemente, nesse mês de abril de 2015, foi lançado o BJCP Style Guidelines 2015, o qual abordou em muitos mais detalhes o universo de cervejas mais exóticas, com um capítulo para cervejas históricas e uma seção inteira para Specialty-Type Beer - com 7 capítulos. É interessante notar na página 71, onde é feita a equivalência entre estilos 2008 para 2015, que o que antes era categorizado simplesmente como "Specialty Beer" agora foi detalhado em mais de 30 itens!! Um sinal claro do crescimento do interesse por cervejas cada vez mais diferentes.

Assim, eu pretendo neste blog, compartilhar minhas experiências no mundo das cervejas extremas. Pretendo tratar de cervejas comerciais interessantes de grandes empresas como: Bodebrown, Way Beer, Dogfish Head, Brewdog e muitas outras. Bem como abarcar minhas experiências como cervejeiro caseiro e maluco. Além de tratar alguns assuntos teóricos e história da cerveja.

Ilustro este post com uma experiência minha baseada nas antigas bebidas da América Central e a versão comercial que me inspirou: Theobroma da Dogfish Head. A minha versão leva mel, polpa de cacau, nibs de cacau, açúcar mascavo e pimenta Jamaica, enquanto a original da Dogfish leva mel, cacau em pó, nibs de cacau e colorau.




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